(Clique na imagem para aumentar. Cortei errado no começo. Era pra começar com ‘um freguês entrou em uma barbearia, se sentou e começou a conversar animadamente com o barbeiro enquanto cortava o cabelo.’)
Jogo dos nove erros:
1 - Barbeiros não são indetectáveis. Ninguém precisa explicar nada, basta passar na frente de uma barbearia.
2 - Barbeiros não são onipotentes, onipresentes e oniscientes, e não estão comprometidos com o fato de que todas as pessoas do mundo, ou do universo, estejam de cabelos e barba devidamente cortados (propriedade também conhecida como oni-cortação-de-cabelo).
3 - Barbeiros não precisam de representantes. Não é preciso ninguém sair divulgando como são maravilhosos os cortes de cabelo metafísicos; não há uma cadeia hierárquica montada sobre o credo nas barbearias. Representantes de barbeiros não impõem sob força de lei obrigação de prestar reverência a um ou outro salão, nem são penduradas tesouras nas paredes das escolas públicas. Não há manifestações e marchas denunciando o perigo social dos aparadores de pelos e os benefícios dos estiletes. Não há discussões intermináveis entre os representantes dos barbeiros sobre quais tesouras o Barbeiro usa, e nem se discute qual alimento pode ou não pode ser ingerido antes de ir ao salão. Barbeiros não têm intermediários cobrando 10% a cada transação.
4 - Barbeiros cortam o cabelo antes pra cobrar pelo serviço depois. O Deus cristão cobra uma vida de servidão a seus auto-nomeados representantes (antes) para pagar depois (com a vida eterna, presumivelmente).
5 - Os cortes de cabelo não requerem uma profunda experiência transcendental que pode ser, muitas ou todas as vezes, confundida com auto-sugestão. Basta se olhar no espelho para ver se o corte ficou bom.
6 - A existência dos barbeiros não é algo não só totalmente inverificável do ponto de vista científico como também não se baseia em textos escritos há milhares de anos por povos habitantes do deserto que não faziam ia menor ideia de que, entre outras coisas, poderia ser inventada uma máquina de cortar cabelo. Eu exigiria algo muito melhor de um barbeiro onisciente, onipotente e onipresente.
7 - Barbeiros podem até ficar um pouco irritados se você cortar o cabelo em outro salão, mas dificilmente irão atirar o seu corpo em fogo eterno se você assim o fizer.
8 - Barbeiros não tem interesse obsessivo na vida sexual dos clientes. Bom, pelo menos, não todos. E mesmo os que têm não deixam de cortar o seu cabelo se você fizer sexo fora do casamento ou com um parceiro que não tenha sido previamente aprovado por seus auto-intitulados representantes.
9 - O final da parábola é confuso. Quem não acredita em Deus fica sem seus cortes de cabelo divinos, isso fica claro. Mas então quer dizer que as pessoas pobres e doentes usadas como argumento pelo barbeiro… estão longe de Deus? Pobre é pobre por que não acredita em Deus, é isso? E se não for isso, se o corte de cabelo divino for a simples crença em Deus (e por isso o barbeiro estaria longe dele, bem cabeludo), então por que isso seria um argumento? Não responde ao questionamento do barbeiro. Pode até deixar ele meio sem entender, tamanha a idiotice da história, mas está muito longe de ser convincente.
Minha filha, pare de twittar mensagens DIVINAS vinda por e-mail.
Reblogando apenas pelo parenteses mais engraçado que já apareceu na minha frente: “(propriedade também conhecida como...